O surgimento dos heróis
A história começa na década de 1930, quando Phil Sheldon presencia o aparecimento do Tocha Humana, um androide criado pelo professor Phineas Horton.
Inicialmente, Sheldon e grande parte da população encaram essas figuras extraordinárias com medo e desconfiança. Quando Namor surge em Nova York e entra em conflito com o Tocha Humana, as pessoas percebem que o mundo está entrando em uma nova era.
Para Sheldon, esses acontecimentos representam o nascimento das "maravilhas" — seres capazes de realizar feitos que parecem impossíveis.
Capitão América e a Segunda Guerra
Durante a Segunda Guerra Mundial, surge o Capitão América, símbolo de esperança para os americanos.
Phil acompanha a ascensão dos heróis e percebe como eles passam a ocupar um espaço cada vez maior na sociedade. Os super-heróis deixam de ser apenas curiosidades e passam a ser vistos como símbolos nacionais e figuras públicas.
Porém, o retorno da paz também traz uma mudança na maneira como as pessoas enxergam esses personagens.
Os X-Men e o preconceito
Um dos momentos mais importantes da obra acontece com o surgimento dos X-Men.
Os mutantes não são vistos simplesmente como heróis. Muitas pessoas passam a temê-los por serem diferentes. O preconceito contra os mutantes funciona como uma representação de problemas sociais presentes no mundo real.
Essa perspectiva é especialmente importante porque Sheldon começa a perceber que o medo das pessoas pode ser tão perigoso quanto os próprios vilões.
O Homem-Aranha
O aparecimento do Homem-Aranha também é mostrado de maneira diferente da tradicional.
Enquanto o leitor conhece Peter Parker e sabe que ele é um herói, o público dentro da história vê apenas um jovem mascarado e misterioso. Para muitos cidadãos, o Homem-Aranha é uma ameaça.
Essa diferença entre o que o leitor sabe e o que as pessoas comuns acreditam é um dos grandes recursos narrativos de Marvels.
A morte de Gwen Stacy
O momento mais doloroso para Phil Sheldon acontece durante os acontecimentos relacionados à morte de Gwen Stacy.
A tragédia mostra que, mesmo com a existência de seres extraordinários, o mundo continua sendo um lugar onde pessoas inocentes podem sofrer e morrer.
Para Sheldon, esse acontecimento representa uma ruptura em sua visão idealizada dos super-heróis.
O olhar de um homem comum
O grande diferencial de Marvels é justamente não colocar um super-herói como protagonista.
Phil Sheldon não possui poderes. Ele é apenas um fotógrafo que observa os acontecimentos.
Por meio de seus olhos, vemos os heróis como a população os enxergaria: às vezes como salvadores, às vezes como ameaças, e outras vezes como seres quase divinos.
Principais temas
- A relação entre heróis e pessoas comuns
- Medo do desconhecido
- Preconceito e intolerância
- Admiração pelos super-heróis
- O impacto dos super-heróis na sociedade
- A passagem do tempo
- Esperança e desilusão
- A diferença entre realidade e percepção
Por que Marvels é tão importante?
Kurt Busiek faz uma espécie de retrospectiva da história da Marvel, utilizando acontecimentos clássicos dos quadrinhos como pano de fundo para contar uma história humana.
Já Alex Ross utiliza sua pintura realista para fazer os personagens parecerem realmente existentes. O resultado é impressionante: vemos Namor, Tocha Humana, Capitão América, X-Men e Homem-Aranha como se fossem pessoas reais fotografadas nas ruas de Nova York.
Em resumo
Marvels é uma história sobre os super-heróis, mas principalmente sobre as pessoas que vivem no mesmo mundo que eles. Phil Sheldon começa admirando as "maravilhas" e termina compreendendo que os heróis são seres imperfeitos, capazes tanto de inspirar quanto de provocar medo.
É uma obra que transforma a história da Marvel em uma reflexão sobre heroísmo, preconceito, esperança e a maneira como enxergamos aqueles que são diferentes de nós.






