quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Folha Explica - A história do Brasil no século 20 (1940-1960)

 


Autor - Oscar Pilagallo
Ano - 2003
Páginas - 93
Editora - Publifolha

O livro apresenta os principais acontecimentos políticos, econômicos e sociais do Brasil entre as décadas de 1940 e 1950. O autor aborda o fim da ditadura de Getúlio Vargas, a volta da democracia, o retorno de Vargas à Presidência por meio do voto popular, seu suicídio e o governo de Juscelino Kubitschek, marcado pelo projeto de modernização do país e pela construção de Brasília.

1. O Brasil na Segunda Guerra Mundial

No início da década de 1940, o Brasil era governado por Getúlio Vargas, que havia estabelecido o Estado Novo em 1937, um regime autoritário que restringia as liberdades políticas.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o governo brasileiro inicialmente manteve uma posição de cautela diante do conflito. Posteriormente, o Brasil aproximou-se dos Estados Unidos e dos países Aliados, declarando guerra às potências do Eixo em 1942.

Em 1944, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) enviou soldados para combater na Itália. A participação brasileira na guerra teve consequências políticas importantes: tornou-se cada vez mais contraditório lutar contra regimes autoritários no exterior enquanto o Brasil permanecia sob uma ditadura.

Essa contradição contribuiu para o enfraquecimento do Estado Novo e aumentou a pressão pela redemocratização.

2. O fim do Estado Novo e a redemocratização

Em 1945, Getúlio Vargas foi afastado do poder pelos militares. O país iniciou uma nova fase política, com eleições presidenciais e a reorganização dos partidos.

O general Eurico Gaspar Dutra venceu as eleições e assumiu a Presidência em 1946. Nesse mesmo ano, foi promulgada uma nova Constituição, que restabeleceu direitos democráticos e reorganizou as instituições políticas brasileiras.

Apesar dos avanços, a democracia ainda apresentava limitações. O governo Dutra adotou medidas contra o Partido Comunista Brasileiro (PCB), que teve seu registro cassado em 1947, e os mandatos de seus parlamentares foram posteriormente anulados.

O período demonstrou que a volta das eleições não eliminou as disputas ideológicas nem as tensões sociais do país.

3. O retorno de Getúlio Vargas ao poder

Em 1950, Getúlio Vargas voltou à Presidência da República após vencer as eleições pelo voto popular. Seu retorno demonstrou que ele ainda possuía grande apoio entre os trabalhadores e outros setores da população.

Durante seu segundo governo (1951-1954), Vargas defendeu o nacionalismo econômico e a participação do Estado no desenvolvimento do país. Seu governo buscou fortalecer a indústria nacional e ampliar a proteção aos trabalhadores.

Um dos acontecimentos mais importantes foi a criação da Petrobras, em 1953, que se tornou símbolo da defesa do petróleo brasileiro. Vargas também enfrentou fortes disputas com setores empresariais, grupos políticos opositores e parte da imprensa.

A crise política se agravou em 1954, especialmente após o atentado contra o jornalista e político Carlos Lacerda, um dos principais adversários de Vargas. Pressionado a deixar o cargo, o presidente suicidou-se em 24 de agosto de 1954.

Sua morte provocou grande comoção popular e alterou profundamente o cenário político brasileiro. A trajetória de Vargas mostra como sua liderança continuava influente, mesmo em um período democrático.

4. O governo de Juscelino Kubitschek

Em 1956, Juscelino Kubitschek assumiu a Presidência com a proposta de acelerar o desenvolvimento nacional. Seu governo ficou conhecido pelo lema “50 anos em 5”, que expressava a intenção de realizar um rápido avanço econômico.

O principal instrumento de seu projeto foi o Plano de Metas, que estabeleceu investimentos em áreas como energia, transportes, indústria e alimentação. O governo incentivou a entrada de empresas estrangeiras, especialmente no setor automobilístico, contribuindo para a expansão industrial.

O acontecimento mais marcante desse período foi a construção de Brasília, planejada para ser a nova capital federal. Inaugurada em 21 de abril de 1960, a cidade simbolizou o desejo de modernizar o país e estimular a ocupação do interior.

Entretanto, o crescimento econômico também trouxe problemas. O aumento da inflação, o endividamento e as desigualdades sociais demonstraram que os benefícios do desenvolvimento não eram distribuídos igualmente entre todos os brasileiros.

5. As transformações sociais e econômicas

Entre 1940 e 1960, o Brasil passou por importantes mudanças:

  • Industrialização: crescimento das fábricas e da produção de bens industrializados.

  • Urbanização: aumento da população nas cidades, em busca de emprego e melhores condições de vida.

  • Modernização: expansão dos transportes, da energia e de outros setores da infraestrutura.

  • Mudanças políticas: passagem de uma ditadura para um sistema democrático, embora marcado por conflitos e instabilidades.

  • Desigualdade social: apesar do crescimento econômico, muitos trabalhadores continuaram enfrentando dificuldades de acesso à moradia, à educação e aos serviços básicos.

Essas transformações ajudaram a construir as características do Brasil moderno, mas também criaram desafios que permaneceriam nas décadas seguintes.

Conclusão

O livro A História do Brasil no Século 20 (1940-1960) apresenta um período de grandes mudanças na história brasileira. Oscar Pilagallo mostra como o país passou do autoritarismo do Estado Novo para a democracia, enfrentou a crise e a morte de Getúlio Vargas e viveu um período de crescimento econômico durante o governo de Juscelino Kubitschek.

A obra também demonstra que a modernização brasileira ocorreu em meio a disputas políticas, dificuldades econômicas e desigualdades sociais. A construção de Brasília e o avanço industrial representaram conquistas importantes, mas não resolveram todos os problemas nacionais.

A principal ideia do livro é que as décadas de 1940 e 1950 foram fundamentais para a formação do Brasil contemporâneo, pois consolidaram mudanças políticas e econômicas cujos efeitos continuaram presentes na sociedade brasileira.

A leitura ajuda a compreender que o desenvolvimento de um país não depende apenas do crescimento econômico, mas também da estabilidade política, da participação democrática e da capacidade de enfrentar suas desigualdades.




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